{"id":3300,"date":"2024-09-10T14:10:27","date_gmt":"2024-09-10T17:10:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/?post_type=artigo&#038;p=3300"},"modified":"2025-06-14T15:33:49","modified_gmt":"2025-06-14T18:33:49","slug":"o-olhar-critico-do-maranhense-joao-affonso-do-nascimento","status":"publish","type":"artigo","link":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-olhar-critico-do-maranhense-joao-affonso-do-nascimento\/","title":{"rendered":"O olhar cr\u00edtico do maranhense Jo\u00e3o Affonso do Nascimento"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3300\" class=\"elementor elementor-3300\" data-elementor-post-type=\"artigo\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-4d2f789e nohoverflow elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"4d2f789e\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-39b61528\" data-id=\"39b61528\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-541facf elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"541facf\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><strong>Gabriel Borges Souza<br \/><\/strong><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-037e628 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"037e628\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><strong>Como citar: <\/strong>SOUZA, Gabriel Borges. O olhar cr\u00edtico do maranhense Jo\u00e3o Affonso do Nascimento.<strong> 19&amp;20, <\/strong>Rio de Janeiro, v. XIX, 2024. DOI: 10.52913\/19e20.xix.03. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-olhar-critico-do-maranhense-joao-affonso-do-nascimento\/<\/p>\n<p>\u2022&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2022&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2022<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-729a22a1 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"729a22a1\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">1. Se para alguns cr\u00edticos de arte que publicavam na imprensa fluminense em idos do s\u00e9culo XIX, o \u201cRio de Janeiro era o Brasil\u201d e a arte carioca era a arte brasileira, aparentemente para alguns intelectuais do extremo Norte este n\u00e3o era caso.<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>&nbsp;No dia 18 de outubro de 1903, por exemplo, o multiartista e cr\u00edtico de arte <\/span><a href=\"http:\/\/www.google.com.br\/search?sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8&amp;q=joao+affonso+nascimento+site:dezenovevinte.net\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Jo\u00e3o Affonso do Nascimento<\/span><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> (1855-1924) [ <\/span><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/joanfas\/fig00.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Figura 1<\/span><\/b><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> ] -assinando como <i>Joafnas<\/i> &#8211; publicava no jornal <i>Folha do Norte<\/i>, abrindo a edi\u00e7\u00e3o de domingo, o texto intitulado \u201cAs Bellas Artes no Brasil,\u201d onde narrou para os leitores de sua coluna dominical algumas impress\u00f5es que teve sobre o <i>Cat\u00e1logo Illustrado da D\u00e9cima Exposi\u00e7\u00e3o Geral da Escola Nacional de Bellas Artes<\/i> [ver <\/span><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/joanfas\/10egba_catalogo.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">fac-s\u00edmile<\/span><\/b><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">]. Dizia o cr\u00edtico:<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">2. <i>Um dia destes, trouxeram-me do correio um pequeno pacote, em cujo subscripto reconheci a lettra de um velho amigo residente na Capital Federal.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">3. <i>Abri pressurosamente o pacote: continha uma ex\u00edgua brochura, de capa c\u00f4r de chocolate, ornada de vinhetas art-nouveau <\/i>[ <\/span><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/joanfas\/fig01.jpg\"><b><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Figura 2<\/span><\/b><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> ]<i>, semelhante, \u00e1 primeira vista, aos livrinhos de distribui\u00e7\u00e3o gratuita, com instruc\u00e7\u00f5es para o uso da machina New-Home, ou confeccionaddos atestados da superioridade do xarope M\u00e3e Seigel. <\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">4. <i>Titulo da brochura: Cat\u00e1logo Illustrado da D\u00e9cima Exposi\u00e7\u00e3o Geral da Escola Nacional de Bellas Artes ou, em outros termos, catalogo do salon annual brasileiro.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">5. <i>Para um amador impenitente como eu, em que os annos n\u00e3o t\u00eam conseguido debelar a velha mania das cousas d\u2019arte, p\u00f3de-se imaginar facilmente que fino regalo seria o exame da brochurinha chocolate e arte-nova, posto que antecipadamente, e com tristeza, verificasse que das suas vinte e oito paginas de typo gra\u00fado n\u00e3o me poderia vir sen\u00e3o um prazer de curta dura\u00e7\u00e3o.<\/i><a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">6. Logo no in\u00edcio do texto, antes mesmo de comentar o que pode ver ao folhear o cat\u00e1logo que lhe fora enviado por um amigo diretamente do Rio de Janeiro, Jo\u00e3o Affonso tratou logo de adiantar aos leitores do <i>Folha<\/i> seu descontentamento diante do conte\u00fado do livreto. Com sugestiva ironia, <i>Joafnas<\/i> seguiu com suas linhas:<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">7. <i>Mas emfim, como todo mundo \u00e9 acc\u00f3rde em proclamar que o Brasil \u00e9 o Rio de Janeiro, l\u00e1 deve ser, por via de regra, o f\u00f3co da intellectualidade nacional, o centro produtor, ao mesmo tempo intenso e abundante, de todos os ramos da Arte, inclusive os que foram grupados por Charles Blanc sob a denomina\u00e7\u00e3o geral de Artes de desenho, e entre n\u00f3s mais conhecidos por Bellas-Artes: a pintura, a esculptura, a archtectura, e a gravura. De l\u00e1, deve irradiar o exemplo da applica\u00e7\u00e3o fecunda e do incessante adeantamento para os outros Estados da Uni\u00e3o, que s\u00e3o como que os membros inferiores de um grande corpo de que o P\u00e3o de Assucar \u00e9 a ponteaguda cabe\u00e7a.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">8. [&#8230;] <i>De tudo isso ia, naturalmente, dar-me cabal demonstra\u00e7\u00e3o o pequeno catalogo que tinha deante de mim.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">9. Pois, senhores, cahiu-me a alma aos p\u00e9s: que franciscan\u00edssima pobreza! Pobreza na quantidade, e, pelo que colligi da nomenclatura das obras expostas, pobreza na qualidade tamb\u00e9m<\/span><i><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">. <\/span><\/i><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">[grifos meus]<i><\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">10.<i> Tudo quanto constituiu a decima exposi\u00e7\u00e3o geral de bellas-artes na Capital Federal, &#8211; na capital do paiz \u2013 poderia, com pequena differen\u00e7a, accomodar-se em qualquer sala um pouco mais vasta da casa de fam\u00edlia<\/i>.<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">11. Apresentando-se como um sujeito contr\u00e1rio ao centralismo dado ao Rio de Janeiro como a principal capital brasileira na produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e intelectual, caso comum \u00e0 \u00e9poca, Jo\u00e3o Affonso do Nascimento n\u00e3o poupou acidez ao definir o <i>Cat\u00e1logo Illustrado da D\u00e9cima Exposi\u00e7\u00e3o Geral da Escola Nacional de Bellas Artes<\/i><i> <\/i>como de \u201cfranciscan\u00edssima pobreza\u201d. Sem demora, ao abrir o cat\u00e1logo, o cr\u00edtico de arte se incomodou com um simples fato: cento e noventa e nove foi a quantidade total de obras de arte que os apreciadores puderam contemplar durante aquela exposi\u00e7\u00e3o. Nas palavras de Jo\u00e3o Affonso, ironicamente, \u201cfaltou uma para arredondar a conta dos duzentos, e valia a pena terem n\u2019o arranjado para acertar o numero, talvez mesmo que dizendo-se \u00e1 bocca cheia dous centos, parecessem muito mais do que realmente eram.\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">12. Dos \u201cduzentos menos um quadros\u201d, atrav\u00e9s dos t\u00edtulos encontrados no cat\u00e1logo, o cr\u00edtico de arte identificou produ\u00e7\u00f5es de alguns g\u00eaneros de pintura comuns daquele per\u00edodo. Paisagens, naturezas mortas, retratos, entre outros. As pinturas em aquarela despontavam. E, embora Jo\u00e3o Affonso tivesse conseguido identificar os g\u00eaneros das pinturas que compuseram o <i>salon<\/i>, ele fez quest\u00e3o de apontar a car\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es no livreto, indicando a falta de esfor\u00e7o do autor do catalogo em sua organiza\u00e7\u00e3o: <\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">13. <i>Raro \u00e9, pois, o que d\u00e1 \u00e1 perceber, da parte do seu actor, um esfor\u00e7o mais consider\u00e1vel de imagina\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o, um trabalho de certa responsabilidade, que se eleve acima do n\u00edvel da produc\u00e7\u00e3o corrente, f\u00e1cil e trivial, de onde se conclue, pelo menos quem formar o seu ju\u00edzo pelas informa\u00e7\u00f5es do catalogo, que a pintura do salon brasileiro, al\u00e9m de lastimavelmente reduzida em por\u00e7\u00e3o, reduziu-se a uma serie de quadros de pequenas dimens\u00f5es e de assumptos banaes, somente um ou outro, se \u00e9 que o havia, destacando-se, por qualidades excepcionaes, da vulgaridade da collec\u00e7\u00e3o, na qual, n\u00e3o obstante, encontram-se os nomes das actuaes summidades da arte nacional<\/i> [&#8230;].<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">14. Se para o cr\u00edtico de arte o autor do cat\u00e1logo n\u00e3o tinha contribu\u00eddo para que os folheadores do livreto tivessem uma boa impress\u00e3o sobre a exposi\u00e7\u00e3o, contribu\u00edram muito menos para tal os estudantes da Escola Nacional de Belas Artes. A car\u00eancia de esculturas, por exemplo, espantou Jo\u00e3o Affonso, que exclamava em seu texto: \u201cessa ent\u00e3o \u00e9 que para demonstrar-se exuberantemente a que ponto se tem desenvolvido entre n\u00f3s, n\u00e3o precisa mais do que recommendar-se pelo n\u00famero. Quatro esculpturas, quatro!\u201d<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a> Poucas em quantidade mas boas em qualidade, as esculturas apresentadas naquela exposi\u00e7\u00e3o ca\u00edram no gosto de Jo\u00e3o Affonso.<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">15. Entre todos os g\u00eaneros, a arquitetura ganhou apenas uma produ\u00e7\u00e3o, um modelo em relevo da fachada da pr\u00f3pria Escola Nacional de Belas Artes, que havia sido projetado pelo professor Morales de los Rios, e executado por Joaquim Fontes Soares. E s\u00f3. A aus\u00eancia de outros estudos e projetos arquitet\u00f4nicos na exposi\u00e7\u00e3o, segundo Jo\u00e3o Affonso em seu texto, implicava diretamente \u201cno estylo da constru\u00e7\u00e3o urbana brasileira,\u201d o que para o cr\u00edtico resultava, ironicamente, nas edifica\u00e7\u00f5es \u201cde bom gosto e conforto,\u201d encontradas nas ruas dos principais centros urbanos do pa\u00eds. De toda forma, ficou atestada uma certeza para Jo\u00e3o Affonso ap\u00f3s folhear a se\u00e7\u00e3o de arquitetura do cat\u00e1logo: \u201cque neste paiz os architectos n\u00e3o correm o risco de morrer milion\u00e1rios.\u201d<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">16. \u201cGravuras de medalhas e pedras preciosas\u201d<i>, <\/i>\u201cGravuras e litoghafia\u201d<i>, <\/i>\u201cDesenhos\u201d<i> e <\/i>\u201cArtes aplicadas\u201d, foram mais algumas das se\u00e7\u00f5es brevemente comentadas por Jo\u00e3o Affonso do Nascimento em seu texto, onde o cr\u00edtico de arte, linha sobre linha, ironizou o acervo que fora catalogado da exposi\u00e7\u00e3o da Escola Nacional de Belas Artes.<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a>&nbsp;Tendo se prolongado durante a reda\u00e7\u00e3o de cr\u00edtica de arte sobre o Cat\u00e1logo Ilustrado, para fechar o texto, Jo\u00e3o Affonso, de forma inteligente, utilizou as duas p\u00e1ginas em branco contidas no Cat\u00e1logo, destinadas a anota\u00e7\u00f5es de seus detentores, para sugerir que ainda tinha coisas a falar sobre o livreto e que tornaria a t\u00ea-lo como tem\u00e1tica em sua coluna na pr\u00f3xima publica\u00e7\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">17. <i>O catalogo, por\u00e9m, apresenta uma innova\u00e7\u00e3o, sobre as outras publica\u00e7\u00f5es congeneres que conhe\u00e7o: traz intercaladas duas p\u00e1ginas em branco, para notas.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">18. <i>Para t\u00e3o pouca obra, o espa\u00e7o \u00e9 tambem pouco. Pelo menos, ao que particularmente nos toca as reflex\u00f5es que me sugere s\u00e3o tantas, que j\u00e1 estando este longo, farei dellas assumpto para o artigo do proximo domingo.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">19. <i>At\u00e9 l\u00e1, espero, leitor amigo que por tua vez ter\u00e1s tirado do que acabo de p\u00f4r sob teus olhos as conclus\u00f5es que melhor te parecerem acerca do nosso Progresso, t\u00e3o evidente, t\u00e3o palp\u00e1vel, que s\u00f3 mesmo escripto com p grande, e at\u00e9, se poss\u00edvel fosse, com p cedilhado.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">20. <i>Joafnas<\/i>.<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[10]<\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">21.<\/span><i><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> Joafnas<\/span><\/i><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">. Mais que um pseud\u00f4nimo ou um acr\u00f4nimo<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[11]<\/a>&nbsp;de Jo\u00e3o Affonso do Nascimento, este foi o principal nome utilizado pelo multiartista maranhense ao assinar seus textos de tem\u00e1tica variada em coluna pr\u00f3pria no jornal <i>Folha do Norte<\/i> a partir do ano de 1903, quando regressou a Bel\u00e9m do Par\u00e1. Protagonista de uma vida agitada que foi permeada por mudan\u00e7as de resid\u00eancias entre as cidades de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o, Bel\u00e9m do Par\u00e1, Manaus e Paris, Jo\u00e3o Affonso do Nascimento, entre tantas ocupa\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m desempenhou o of\u00edcio de cr\u00edtico de arte naquela Bel\u00e9m do in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">22. Sem pretens\u00f5es de biograf\u00e1-lo, nosso intuito, nas linhas que seguem, \u00e9 o de apresentar justamente a faceta de cr\u00edtico de arte<i> <\/i>de Jo\u00e3o Affonso do Nascimento em sua coluna dominical no jornal <i>Folha do Norte<\/i>. Ainda que Joafnas tenha se dedicado com mais afinco a reda\u00e7\u00e3o de textos que tratavam sobre assuntos diversos, principalmente envolvendo hist\u00f3ria e moda, vez em quando os leitores do <i>Folha<\/i>, diante da aus\u00eancia do cr\u00edtico <a href=\"http:\/\/www.google.com.br\/search?sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8&amp;q=alfredo+sousa+critico+site:dezenovevinte.net\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alfredo Sousa<\/a><a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[12]<\/a>&nbsp;nas p\u00e1ginas do jornal ou sem motivo aparente, podiam se deparar com cr\u00edticas de arte assinadas por Joafnas.<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">23. Torna-se importante frisar que se comparado a seus contempor\u00e2neos nos campos intelectuais e art\u00edsticos, que contaram com uma rede de apoio durante sua vida educacional, Jo\u00e3o Affonso do Nascimento pode ser considerado um prod\u00edgio. Autodidata na literatura e na arte, ainda que tivesse cursado apenas o Liceu Maranhense, com destaque, Jo\u00e3o Affonso tornou-se um ex\u00edmio caricaturista, sendo o fundador da revista <i>A Flecha (1879)<\/i>, em S\u00e3o Lu\u00eds, aos 24 anos. Chegando a Bel\u00e9m em 1881, rapidamente Joafnas conseguiu galgar espa\u00e7os na imprensa local, passando a contribuir com ilustra\u00e7\u00f5es para o magazine A <i>Vida Paraense <\/i>(1883)<i> <\/i>[ <\/span><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/joanfas\/fig02.jpg\"><b><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Figura 3<\/span><\/b><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> ]. Na <i>Revista Amaz\u00f4nica<\/i>, publicou o romance-folhetim <i>A Vi\u00fava<\/i>, que para alguns &#8211; junto \u00e0 <i>Hort\u00eancia <\/i>de <a href=\"http:\/\/www.google.com.br\/search?sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8&amp;q=joao+marques+carvalho+site:dezenovevinte.net\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jo\u00e3o Marques de Carvalho<\/a> &#8211; foi o primeiro romance urbano de Bel\u00e9m.<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[13]<\/a> Tais fatos contribu\u00edram para que seu nome se consolidasse na imprensa do Norte do pa\u00eds.<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[14]<\/a>&nbsp; Entre desenhos e letras, Joafnas tamb\u00e9m foi um sujeito ligado ao teatro, escrevendo diversas pe\u00e7as as quais intitulou <i>Natividade<\/i>, com tem\u00e1ticas religiosas.<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[15]<\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">24. Arte, teatro e literatura. Os campos onde Jo\u00e3o Affonso do Nascimento atuou como produtor foram tamb\u00e9m os campos nos quais o multiartista se prop\u00f4s a realizar an\u00e1lises. No nov\u00edssimo jornal <i>Folha do Norte<\/i><i> <\/i>(1896), suas primeiras publica\u00e7\u00f5es datam 1901. Em viagem \u00e0 Europa desde 1900, passando por Lisboa e fixando resid\u00eancia em Paris, Joafnas enviou uma s\u00e9rie de cr\u00f4nicas de viagem em forma de cartas que foram publicadas no jornal durante o segundo semestre daquele ano.<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[16]<\/a> O per\u00edodo vivendo na capital parisiense foi crucial para que Joafnas tivesse uma mudan\u00e7a de perspectiva art\u00edstica, cultural e visual.<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\">[17]<\/a>&nbsp;A modernidade havia contaminado o artista, que passou a enxergar in\u00fameras possibilidades do reflexo da cultura burguesa <i>belle epoqueana<\/i> na cultura cotidiana da cidade guajarina.<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">25. De volta a Bel\u00e9m, foi a partir do segundo semestre de 1903 que Jo\u00e3o Affonso do Nascimento se tornou um dos redatores fixos do jornal <i>Folha do Norte<\/i>. Artista que era, Joafnas foi ciceroneado na reda\u00e7\u00e3o do jornal pelo cr\u00edtico de arte Alfredo Sousa, amigo de artistas e que, no dia 28 de agosto, em sua coluna <i>Notas de Arte<\/i>, publicou uma cr\u00f4nica apresentando aos leitores do <i>Folha<\/i> as qualidades art\u00edsticas de Jo\u00e3o Affonso do Nascimento:<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">26. [&#8230;] <i>E\u2019 o segundo um amador de vigoroso talento que faltou, para fazel-o um artista acabado, o estudo profissional. De intensa sensibilidade art\u00edstica, instinctivo e naturalmente engenhoso, sem nunca ter tido um professor de desenho, ou assistido na sua juventude a uma aula de pintura, ele deu para fazer tudo, a l\u00e1pis ou a pincel, desde a decora\u00e7\u00e3o rudimentar \u00e0 composi\u00e7\u00e3o mais complexa, em marinha, paisagem, animaes, figura, \u00e0 pena, a carv\u00e3o, gouache, pastel, \u00f3leo, fogo, todos os g\u00eaneros de pintura, emfim, e com alto gosto e discre\u00e7\u00e3o.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">27. <i>Referimo-nos a Jo\u00e3o Affonso do Nascimento, o mais edoso dos mo\u00e7os pintores de Bel\u00e9m, em esp\u00edrito de elei\u00e7\u00e3o, bem provado j\u00e1 na vida, mas sempre juvenil e vivaz, servido de uma organiza\u00e7\u00e3o physica privilegiada, que se compraz no trabalho incessante e indefesso.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">28. <i>As horas f\u00f4rras \u00e0 vida comercial, de porfiada labuta\u00e7\u00e3o, emprega-as ele todas em locubra\u00e7\u00f5es da intellig\u00eancia ou em espet\u00e1culos de arte, ou <\/i>na elabora\u00e7\u00e3o de artigos de cr\u00edtica [grifos meus]<i> e observa\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ados com a eleg\u00e2ncia de um estheta e o atticismo de um humorista, e, principalmente, em pintar, copiando os mestres modernos o que n\u00e3o lhe censuramos, mas prefer\u00edamos v\u00eal-o em composi\u00e7\u00f5es suas, pois n\u00e3o lhe falta a imagina\u00e7\u00e3o, e os modelos f\u00e1cil lhe ser\u00e1 encontral-os, querendo.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">29. <i>De qualquer modo, por\u00e9m, admiramel-o e estimamel-o como artista, louvando-lhe a prodigiosa actividade, pois \u00e9 ele, dentre todos, profissionaes e amadores, o que maior numero de trabalhos produz, sempre animado pelo fogo sagrado da Arte<\/i>.<a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\">[18]<\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">30. Ap\u00f3s os elogios impressos na mat\u00e9ria das <i>Notas de Arte<\/i> de Alfredo Sousa, o nome de Jo\u00e3o Affonso do Nascimento ganhou mais espa\u00e7o nas p\u00e1ginas do jornal <i>Folha do Norte<\/i>. Nesse sentido, n\u00e3o assusta que poucos meses depois de ter suas habilidades art\u00edsticas reconhecidas por Sousa, o nome de Jo\u00e3o Affonso tenha aparecido novamente em setembro de 1903, em mat\u00e9ria j\u00e1 citada, indicado para compor o quadro de docentes do projeto referente \u00e0 Academia de Pintura que estava sendo pensada para a capital.<a href=\"#_edn19\" name=\"_ednref19\">[19]<\/a><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_edn19\" name=\"_ednref19\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><!--[endif]--><\/span><\/a> Curiosamente \u2013 ou n\u00e3o \u2013 em outubro de 1903, a <i>Folha do Norte<\/i> abriu as portas de sua reda\u00e7\u00e3o para o senhor Jo\u00e3o Affonso do Nascimento, que passou a publicar mat\u00e9rias em coluna exclusiva, abrindo as edi\u00e7\u00f5es dos domingos, com seu pseud\u00f4nimo Joafnas.<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">31. Foi neste contexto em que a cr\u00edtica sobre o Cat\u00e1logo <i>Illustrado da D\u00e9cima Exposi\u00e7\u00e3o Geral da Escola Nacional de Bellas Artes<\/i> e outros textos foram publicados no jornal Folha do Norte<i> <\/i>com a assinatura de Joafnas. No domingo seguinte ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o daquela que ficou marcada como sua primeira cr\u00edtica de arte impressa no <i>Folha<\/i>, Jo\u00e3o Affonso, como prometido, redigiu e publicou mais um texto sobre o dito Cat\u00e1logo, no qual o jornalista observou in\u00fameras ressalvas, como j\u00e1 explicitado.<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">32. Sobre o \u201cminguado catalogo,\u201d em <i>Atrazo ou Negligencia?<\/i>, texto publicado por Joafnas no dia 25 de outubro de 1903, o cr\u00edtico de arte reiterava que, ao folhear o livreto, sentia-se \u201cenvergonhado\u201d com a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica da juventude carioca, principalmente devido aos artistas e intelectuais de l\u00e1 gozarem de \u201cuma natureza privilegiada, povoada por uma sociedade que pretende ser Paris em miniatura,\u201d al\u00e9m de terem a pretens\u00e3o de \u201cestabelecerem success\u00e3o entre lettras do sul e lettras do norte.\u201d Durante a semana, para servir de base ao seu novo artigo, Jo\u00e3o Affonso fez o resgate do <i>Catalogo Illustrado da Exposi\u00e7\u00e3o Art\u00edstica da Imperial Academia de Bellas Artes do Rio de Janeiro<\/i>, de 1884. Em seu texto, o cr\u00edtico fez quest\u00e3o de realizar uma an\u00e1lise comparativa deste com o cat\u00e1logo de 1903. Ap\u00f3s apresentar aos leitores a discrep\u00e2ncia na quantidade de obras catalogadas daquela exposi\u00e7\u00e3o ocorrida durante o Segundo Reinado, Joafnas prop\u00f4s a indaga\u00e7\u00e3o que deu t\u00edtulo ao seu texto: <i>Atrazo ou Negligencia?<\/i><a href=\"#_edn20\" name=\"_ednref20\">[20]<\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">33. Atribuindo a responsabilidade ao Governo Republicano pela car\u00eancia de boas produ\u00e7\u00f5es na Exposi\u00e7\u00e3o da Escola Nacional de Belas Artes daquele ano, principalmente devido \u00e0 neglig\u00eancia na propaganda, no incentivo de novos egressos e a falta de estrat\u00e9gias para a forma\u00e7\u00e3o de novos artistas, Joafnas ainda sinalizou que n\u00e3o \u00e9 de hoje que os artistas do extremo norte, da Amaz\u00f4nia, contestam a aus\u00eancia de espa\u00e7os nas grandes exposi\u00e7\u00f5es ocorridas em galerias e museus do sudeste brasileiro para colocarem a mostra suas obras:<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">34. <i>Um indicio dessa inconstancia na propaganda da cultura artistica, do abandono dos elementos, que podiam concorrer para o seu fomento, \u00e9 o esquecimento em que at\u00e9 agora tem ficado os estados, quando mais n\u00e3o seja aquelles que se acham aqui no extremo norte, na organisa\u00e7\u00e3o das exposi\u00e7\u00f5es como a de que nos occupamos. N\u00e3o sei o que dir\u00e1 a respeito o regulamento actual da Escola: o da antiga Academia dispunha que tomassem parte nas exposi\u00e7\u00f5es geraes os artistas das prov\u00edncias, e o projecto dos tres reformadores, a que me tenho referido, determinava a&nbsp; admiss\u00e3o de todos os cidad\u00e3os nos concursos artisticos; o que sei \u00e9 que n\u00e3o me consta terem sido at\u00e9 hoje convidados os artistas paraenses a enviar seus trabalhos para o <\/i>salon<i> da Capital Federal, nem que, official ou particularmente, se conhe\u00e7a aqui sequer a data em que elle se realiza<\/i>.<a href=\"#_edn21\" name=\"_ednref21\">[21]<\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">35. Vivendo em Bel\u00e9m h\u00e1 algumas d\u00e9cadas, Jo\u00e3o Affonso do Nascimento estava em conviv\u00eancia e di\u00e1logo com \u00f3timos artistas que estavam produzindo obras de arte no extremo norte do pa\u00eds. Levando em considera\u00e7\u00e3o o que foi dito pelo outro cr\u00edtico de arte do jornal&nbsp;Folha do Norte, o Sr. Alfredo Sousa, pode-se supor que devido a qualidade atestada em seus trabalhos, obras do pr\u00f3prio Joafnas &#8211; naquele momento, um homem maduro de 48 anos &#8211; poderiam estar expostas nos cavaletes dos principais&nbsp;<i>salons<\/i>&nbsp;art\u00edsticos&nbsp;do Rio de Janeiro e de outras capitais brasileiras. Entretanto, ao que tudo indica, os convites para artistas nortistas comporem os acervos de grandes exposi\u00e7\u00f5es no sudeste brasileiro demoravam a chegar, podendo ser citado como exemplo pontual a participa\u00e7\u00e3o do pintor <a href=\"http:\/\/www.google.com.br\/search?sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8&amp;q=jose+girard+site:dezenovevinte.net\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Jos\u00e9 Girard<\/span><\/a> na Exposi\u00e7\u00e3o Nacional do Rio de Janeiro, no ano de 1908.<i>&nbsp;<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">36. Ap\u00f3s os dois textos publicados sobre o <i>Cat\u00e1logo Illustrado da D\u00e9cima Exposi\u00e7\u00e3o Geral da Escola Nacional de Bellas Artes<\/i>, Jo\u00e3o Affonso do Nascimento manteve a assiduidade de sua coluna, abrindo as edi\u00e7\u00f5es do jornal <i>Folha do Norte<\/i> com novos artigos at\u00e9 meados de setembro de 1904. Embora Bel\u00e9m estivesse contando com um crescimento exponencial no seu circuito de exposi\u00e7\u00f5es, Joafnas n\u00e3o publicou mais nem um texto de cr\u00edtica de arte em sua coluna, deixando a cargo de Alfredo Sousa tratar sobre o assunto.<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">37. Cr\u00ea-se que o sumi\u00e7o de quatro anos, entre 1904 e 1908, de Jo\u00e3o Affonso da imprensa belenense esteja atrelado a mais uma viagem de interc\u00e2mbio a Paris. Desta forma, Joafnas esteve ausente em grandes ocasi\u00f5es da vida art\u00edstica da cidade guajarina, como a abertura do <i>foyer<\/i> do Theatro da Paz durante a exposi\u00e7\u00e3o de Ant\u00f4nio Parreiras em 1905, assim como nas demais exposi\u00e7\u00f5es de renomados pintores nacionais e internacionais que o espa\u00e7o destinado a aprecia\u00e7\u00e3o da arte comportou. Com a aus\u00eancia de Jo\u00e3o Affonso, pode-se dizer que a reda\u00e7\u00e3o do jornal <i>Folha do Norte<\/i> n\u00e3o perdeu em nada no que diz respeito ao campo da cr\u00edtica de arte, pois Alfredo Sousa tratou de publicar in\u00fameros textos deste g\u00eanero no mesmo per\u00edodo. Abrindo par\u00eanteses para conjecturas, se Jo\u00e3o Affonso permanecesse em Bel\u00e9m, imaginamos que as contribui\u00e7\u00f5es poderiam ser maiores tanto nas p\u00e1ginas do jornal, quanto no cotidiano art\u00edstico da cidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">38. Nesse sentido, podemos adiantar que as contribui\u00e7\u00f5es com textos de cr\u00edtica de arte redigidos por Jo\u00e3o Affonso do Nascimento no jornal <i>Folha do Norte<\/i> sobre o circuito de exposi\u00e7\u00f5es de belas artes de Bel\u00e9m foram pontuais, principalmente se comparadas \u00e0s produ\u00e7\u00f5es publicadas por Alfredo Sousa, no mesmo jornal ou \u00e0s de Ant\u00f4nio Marques de Carvalho, no jornal opositor, <i>A Prov\u00edncia do Par\u00e1<\/i>.<a href=\"#_edn22\" name=\"_ednref22\">[22]<\/a>&nbsp;Ainda assim, torna-se importante debater os poucos textos deste g\u00eanero publicados por Joafnas, principalmente no intuito de estabelecer as p\u00e1ginas do jornal <i>Folha do Norte<\/i> como um campo de debates art\u00edsticos.<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">39. Joafnas voltou a reda\u00e7\u00e3o do <i>Folha<\/i> apenas em maio de 1908. Dali em diante, come\u00e7aria o per\u00edodo de maior const\u00e2ncia de publica\u00e7\u00f5es do jornalista no impresso. Al\u00e9m de resgatar a sua coluna dominical, iniciada anos antes, Jo\u00e3o Affonso do Nascimento diariamente passou a publicar textos sat\u00edricos na coluna <i>Conversa Fiada<\/i>, sob o pseud\u00f4nimo &#8220;Piment\u00e3o.&#8221;<a href=\"#_edn23\" name=\"_ednref23\">[23]<\/a>&nbsp;Em meio a in\u00fameros textos veiculados ao longo do ano, custou para que uma nova cr\u00edtica de arte redigida por Jo\u00e3o Affonso do Nascimento fosse impressa no Folha do Norte.<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">40. Se Alfredo Sousa e Ant\u00f4nio Marques de Carvalho, os dois cr\u00edticos de arte mais conhecidos em Bel\u00e9m durante a d\u00e9cada de 1910 n\u00e3o puderam escrever sobre a obra prima de <\/span><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/bios\/bio_tb.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Theodoro Braga<\/span><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> &#8211; a tela <i>A Funda\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m<\/i> [ <\/span><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/joanfas\/fig03.jpg\"><b><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Figura 4<\/span><\/b><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> ] &#8211; Joafnas assim o fez, encarnando novamente um cr\u00edtico de arte. A entrega da tela, encomenda feita a Theodoro Braga por seus mecenas, o Intendente Municipal Ant\u00f4nio Lemos, foi realizada no dia 17 de dezembro de 1908, na ocasi\u00e3o de abertura de mais uma exposi\u00e7\u00e3o de Braga em Bel\u00e9m, al\u00e9m de anivers\u00e1rio de Ant\u00f4nio Lemos.<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">41. O <i>foyer<\/i> do Theatro da Paz mais uma vez foi aberto para a fina flor da sociedade belenense poder contemplar a tela pintada por Theodoro Braga, que al\u00e9m de pintor, se fez um pesquisador, viajando a Portugal em busca de vest\u00edgios hist\u00f3ricos para aplicar no quadro. Ao entrar no pomposo espa\u00e7o, os apreciadores eram presenteados com um livreto contendo a descri\u00e7\u00e3o do quadro.<a href=\"#_edn24\" name=\"_ednref24\">[24]<\/a> Entre tantas almas que ali estiveram presentes, Jo\u00e3o Affonso do Nascimento tamb\u00e9m pode contemplar a pintura hist\u00f3rica de Theodoro Braga.<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">42. O quadro suscitou em Jo\u00e3o Affonso a inspira\u00e7\u00e3o l\u00edtero-art\u00edstica para redigir um texto de cr\u00edtica de arte que foi publicado em sua coluna dominical no dia 20 de dezembro de 1908, tr\u00eas dias ap\u00f3s a abertura da exposi\u00e7\u00e3o de Theodoro Braga. Em um extenso e minucioso estudo, corroborando com os textos que comumente eram publicados por Alfredo Sousa e Ant\u00f4nio de Carvalho, Jo\u00e3o Affonso do Nascimento iniciou sua cr\u00edtica narrando aos leitores do jornal <i>Folha do Norte<\/i> as suas impress\u00f5es ao passar os olhos sobre as primeiras telas que compunham a exposi\u00e7\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">43. <i>\u201cPintor ao Norte!\u201d, disse eu commigo, logo ao primeiro golpe de vista pelo sal\u00e3o do theatro da Paz.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">44. [&#8230;]<i> Percorrendo a actual exposi\u00e7\u00e3o de Theodoro Braga, o visitante se convencer\u00e1 promptamente deste asserto, vendo trabalhos a oleo, a aquerella, a pastel, a tempera, a penna, a fumo, a carv\u00e3o, a miniatura; scenas hist\u00f3ricas, quadros de generos, paisagens, assumptos religiosos, retratos, phantasias, decora\u00e7\u00e3o. Significa isto que o artista teve em vista mostrar-se familiarisado com qualquer dos ramos da sua profiss\u00e3o, e \u00e9 justi\u00e7a proclamar que elle o conseguiu.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">45. [&#8230;]<i> Visto isso, ouso entreter hoje os meus caros leitores dominicaes, com as impress\u00f5es, que pessoalmente me deixou a exposi\u00e7\u00e3o alludida.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">46. N\u00e3o \u00e9 uma cr\u00edtica, me apresso em declarar. O distincto amador, que nas columnas da Folha do Norte se occupa habitualmente de coisas d\u2019arte, achando-se ora ausente, n\u00e3o me abalan\u00e7o a substituil-o [grifos meus] [&#8230;].<a href=\"#_edn25\" name=\"_ednref25\">[25]<\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">47. Ap\u00f3s comentar os g\u00eaneros de pintura que poderiam ser contemplados na mostra de Theodoro Braga, Joafnas citou seu companheiro de reda\u00e7\u00e3o Alfredo Sousa, cr\u00edtico de arte residente do jornal <i>Folha do Norte<\/i><i>,<\/i> que estava ausente de Bel\u00e9m durante a abertura da nova exposi\u00e7\u00e3o de Braga. No par\u00e1grafo, fica n\u00edtido que Joafnas n\u00e3o tinha a pretens\u00e3o de ocupar o cargo de cr\u00edtico de arte daquele jornal, respeitando o espa\u00e7o de Alfredo Sousa. O caso foi que, diante da conjuntura de entrega da tela <i>A Funda\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m<\/i>, o jornal <i>Folha do Norte<\/i> n\u00e3o poderia deixar de veicular uma an\u00e1lise sobre o quadro, epis\u00f3dio ic\u00f4nico para a cena art\u00edstica da capital. Estando Alfredo Sousa ausente, o jornalista mais qualificado foi designado a redigir o estudo: Jo\u00e3o Affonso do Nascimento. Dando continuidade as suas an\u00e1lises, Joafnas privilegiou promover na primeira parte do seu texto um debate sobre a grande tela hist\u00f3rica pintada por Theodoro Braga:<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">48. <i>Dentre os trabalhos expostos, tem de ser necessariamente mencionado em primeiro lugar, j\u00e1 por ser o de mais custosa composi\u00e7\u00e3o, de mais aprofundado estudo, de mais vastas dimens\u00f5es, de maior responsabilidade, em summa a causa principal da exposi\u00e7\u00e3o, o que representa a <\/i>Funda\u00e7\u00e3o da cidade de N. S. de Bel\u00e9m<i>, executado por encomenda da intend\u00eancia desta capital.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">49. <i>Para bem avaliar um quadro deste genero, \u00e9 indispens\u00e1vel, cuido eu, a pessoa collocar-se no mesmo ponto de vista que o actor, isto \u00e9, inteirar-se previamente das raz\u00f5es que elle teve para interpretar como interpretou o facto hist\u00f3rico que serviu de thema \u00e1 sua composi\u00e7\u00e3o, e feito isto, confrontar a documenta\u00e7\u00e3o na t\u00e9la, e d\u2019ahi concluir se elle foi ou n\u00e3o fiel e honesto interprete.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">50. <i>Ora, tendo o visitante \u00e1 sua disposi\u00e7\u00e3o a monographia impressa, cuidadosamente organizada pelo proprio artista com um louv\u00e1vel fim de elucida\u00e7\u00e3o, e da qual deprehende a somma do trabalho, de estudo, e de investiga\u00e7\u00e3o, a que o levaram o seu escr\u00fapulo e o seu proposito de ser honesto e fiel, tenho para mim que elle effectivamente foi<\/i>.<a href=\"#_edn26\" name=\"_ednref26\">[26]<\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">51. Salientando para os leitores de sua coluna a import\u00e2ncia da leitura do livreto sobre a tela que Theodoro Braga havia distribu\u00eddo durante a abertura da exposi\u00e7\u00e3o, Joafnas argumentava que o impresso auxiliava os apreciadores no momento da frui\u00e7\u00e3o da obra, pontuando que, a partir da leitura e feita a contempla\u00e7\u00e3o, atestou que o pintor havia sido \u201chonesto e fiel\u201d em sua composi\u00e7\u00e3o. Partindo para o debate t\u00e9cnico e adentrando a quest\u00e3o de <i>gosto<\/i>, Joafnas seguiu falando sobre as cenas que comp\u00f5em o quadro:<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">52. <i>No tocante \u00e1 factura do quadro, ella \u00e9, para mim, toda satisfactoria no seu conjuncto, se bem que as minhas predile\u00e7\u00f5es se inclinem para a divis\u00e3o esquerda do diptyco, tanto pela enscena\u00e7\u00e3o geral, como pelo modo de tratar as figuras. As arvores e os terrenos do primeiro plano s\u00e3o, a meu ver, bellos trechos de pinturas robustas e expressiva.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">53. <i>Na retina de certos espectadores, bem intencionados, eu sei, mas de limitada educa\u00e7\u00e3o technica, a tonalidade, o grupamento das massas, a pintura tracejada que em alguns logares se v\u00ea, podem produzir um effeito, n\u00e3o direi desagradavel, mas em todo caso extranho. Entretanto, \u00e9 ainda essa uma prova de que o nosso pintor anda bem a par do movimento evolutivo da sua arte, conduzido pelos mestres aclamados da moderna pintura mural decorativa<\/i> [&#8230;].<a href=\"#_edn27\" name=\"_ednref27\">[27]<\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">54. Embora sem a pretensa de escrever uma cr\u00edtica de arte, Joafnas perpassou, ainda que econ\u00f4mico em descri\u00e7\u00e3o, em an\u00e1lise e abordagem, pela qualidade est\u00e9tica das figuras retratadas por Theodoro Braga em seu novo quadro, salientando a qualidade t\u00e9cnica exprimida pelo pintor no ato da composi\u00e7\u00e3o da tela. Al\u00e9m disso, o jornalista se atentou a t\u00e9cnica moderna utilizada pelo pintor durante a colora\u00e7\u00e3o do quadro, advinda de estudos da pintura mural e decorativa, g\u00eaneros trabalhados por Theodoro Braga naquele per\u00edodo. Sem tantas delongas, estes foram os meros pareceres cr\u00edticos de Joafnas sobre a aguardada tela. Talvez o jornalista estivesse deixando espa\u00e7os para que Alfredo Sousa comentasse outros pormenores da tela, o que acabou n\u00e3o ocorrendo. De toda forma, \u00e9 poss\u00edvel imaginar que alguns leitores do jornal <i>Folha do Norte<\/i> tenham se frustrado com a pequena an\u00e1lise da obra de arte.<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">55. Como se passeasse pela exposi\u00e7\u00e3o, Jo\u00e3o Affonso do Nascimento seguiu o texto arrolando as demais obras que a compunham como um cronista, longe de se ater em debates est\u00e9ticos condensados sobre tra\u00e7os, colora\u00e7\u00e3o ou contrastes. Para findar o texto, o jornalista reservou palavras de incentivo a seu velho amigo Theodoro Braga:<a href=\"#_edn28\" name=\"_ednref28\">[28]<\/a><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_edn28\" name=\"_ednref28\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><!--[endif]--><\/span><\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">56. <i>E agora, antes do ponto final, desejo, depois de haver externado o verdadeiro contentamento que sinto por este acontecimento t\u00e3o salutar \u00e1 aridez do nosso meio, dirigir duas palavras ao artista, como express\u00e3o dos votos que por elle f\u00f3rmo, como seu amigo e admirador.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">57. <i>Fa\u00e7o votos para que, terminada a exposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o volte para a sua casa um s\u00f3 dos trabalhos, apre\u00e7ados no catalogo por muito menos do seu real valor, sem duvida, para collocal-os ao alcance do nosso ainda restricto mercado art\u00edstico.<\/i><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo2\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">58. [&#8230;] <i>E\u2019 quanto lhe desejo, meu caro amigo Theodoro Braga: que voc\u00ea, uma vez aparelhado, como acaba de demonstrar, com todos os recursos da sua nobre e bella profiss\u00e3o, possa emfim prosseguir na sua carreira definitiva e pelo caminho que melhor possa lhe aprouver<\/i>.<a href=\"#_edn29\" name=\"_ednref29\">[29]<\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">59. A imprensa detinha um papel primordial dentro do sistema de arte da Bel\u00e9m daquela \u00e9poca. Se os principais cr\u00edticos de arte dos dois maiores jornais em circula\u00e7\u00e3o n\u00e3o puderam escrever suas impress\u00f5es sobre a aguardada tela <i>A Funda\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m<\/i>, assim como sobre as demais obras que compuseram a recente exposi\u00e7\u00e3o de Theodoro Braga, Jo\u00e3o Affonso do Nascimento tomou para si a responsabilidade de registrar a ocasi\u00e3o, ora como um cr\u00edtico (ainda que timidamente), ora como um cronista, informando o p\u00fablico apreciador sobre a mostra e suscitando debates de <i>gosto<\/i> sobre o que podia ser visto no <i>foyer<\/i>.<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">60. Foram pontuais as publica\u00e7\u00f5es de Jo\u00e3o Affonso do Nascimento como cr\u00edtico de arte, de fato. Com exce\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o de Theodoro Braga, os leitores do jornal <i>Folha do Norte <\/i>poderiam notar a diferen\u00e7a entre os textos publicados por Jo\u00e3o Affonso e Alfredo Sousa, este \u00faltimo cr\u00edtico de arte residente do jornal. Em sua coluna dominical, entre artigos sobre moda ou sobre hist\u00f3ria, ainda que tivesse as belas artes como pauta, os textos desta tem\u00e1tica que datam entre 1908 e 1914 se inclinavam para uma debate te\u00f3rico-art\u00edstico, onde Jo\u00e3o Affonso experimentou lan\u00e7ar discuss\u00f5es mais conceituais para o p\u00fablico leitor do Folha.<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">61. <\/span><i><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Da arte da fraude na arte<\/span><\/i><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">,<a href=\"#_edn30\" name=\"_ednref30\">[30]<\/a><\/span><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">&nbsp;<i>Da sinceridade na arte<\/i>,<a href=\"#_edn31\" name=\"_ednref31\">[31]<\/a>&nbsp;<i>Guerra \u00e1 linha curva<\/i>,<a href=\"#_edn32\" name=\"_ednref32\">[32]<\/a><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_edn32\" name=\"_ednref32\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><!--[endif]--><\/span><\/a> <i>Se fosse o Louvre&#8230;<\/i>,<a href=\"#_edn33\" name=\"_ednref33\">[33]<\/a>&nbsp;s\u00e3o artigos que n\u00e3o tratavam sobre ju\u00edzo est\u00e9tico, gosto, tra\u00e7os, ou colora\u00e7\u00e3o em obras de arte contempladas. Neles, Joafnas se apresentava aos leitores de sua coluna mais como um te\u00f3rico no campo da arte do que como um cr\u00edtico de arte.<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">62. Se Alfredo Sousa e Ant\u00f4nio Marques de Carvalho, cada um a seu modo, acompanharam de perto a evolu\u00e7\u00e3o de artistas e o crescimento do c\u00edrculo art\u00edstico de Bel\u00e9m atrav\u00e9s da visita a ateli\u00eas, registrando grandes exposi\u00e7\u00f5es e pequenas mostras, suscitando debates atrav\u00e9s da imprensa, Jo\u00e3o Affonso do Nascimento n\u00e3o seguiu o mesmo caminho, embora tenha contribu\u00eddo como artista e produtor na cena paraense.<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">63. Sobre o circuito de exposi\u00e7\u00f5es escolares, entre 1909 e 1913, todo m\u00eas de setembro o jornalista reservou espa\u00e7o em sua coluna para comentar a <i>Exposi\u00e7\u00e3o Escolar de Desenho<\/i>, promovida pelo Governo do Estado. Por mais que Alfredo Sousa tenha publicado artigos sobre algumas delas,<a href=\"#_edn34\" name=\"_ednref34\">[34]<\/a>&nbsp;Jo\u00e3o Affonso, quase sempre citando seu colega de reda\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m publicou os textos: <i>O desenho ao mesmo tempo que o abc <\/i>(1909),<a href=\"#_edn35\" name=\"_ednref35\">[35]<\/a>&nbsp;<i>Um anno desaproveitado<\/i> (1910),<a href=\"#_edn36\" name=\"_ednref36\">[36]<\/a>&nbsp;<i>A terceira exposi\u00e7\u00e3o escolar de desenho <\/i>(1911),<a href=\"#_edn37\" name=\"_ednref37\">[37]<\/a> <i>A quarta exposi\u00e7\u00e3o escolar de desenho <\/i>(1913),<a href=\"#_edn38\" name=\"_ednref38\">[38]<\/a>&nbsp;<i>A quinta exposi\u00e7\u00e3o escolar de desenho <\/i>(1914),<a href=\"#_edn39\" name=\"_ednref39\">[39]<\/a>&nbsp;onde deixou registradas, ano a ano, impress\u00f5es negativas sobre os singelos estudos dos alunos aspirantes a artistas de Bel\u00e9m. <\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo1\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-indent: 0cm;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">64. Se dentro do sistema de arte da Bel\u00e9m do in\u00edcio do s\u00e9culo XX a imprensa impressa detinha um papel primordial em difundir ideias e informar a popula\u00e7\u00e3o, no campo art\u00edstico, a cr\u00edtica de arte deste per\u00edodo, atrav\u00e9s das p\u00e1ginas dos jornais de circula\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, desempenhava um papel parecido. Evidenciando a complexidade do contexto, dos espa\u00e7os e dos agentes que estavam ligados \u00e0 intelectualidade nortista, Jo\u00e3o Affonso Nascimento foi um dos nomes que contribu\u00edram com o enriquecimento da cena art\u00edstica de Bel\u00e9m atrav\u00e9s de seus debates como cr\u00edtico de arte, desempenhando o papel de mediador entre artistas e p\u00fablico leitor\/apreciador, al\u00e9m de deixar, atrav\u00e9s de seus textos, grande parte da sociedade belenense a par das principais discuss\u00f5es dos mundos da arte daquele per\u00edodo<\/span><\/p>\n<div>\n<p><!-- [if !supportEndnotes]--><\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\">\n<p><!--[endif]--><\/p>\n<div id=\"edn1\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">* Mestre em Hist\u00f3ria pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Social da Amaz\u00f4nia da Universidade Federal do Par\u00e1 (PPHIST-UFPA, 2024). P\u00f3s-Graduado em Africanidades e Cultura Afro Brasileira pela Universidade Pit\u00e1goras Unopar Anhanguera (2023). Graduado em Licenciatura Plena em Hist\u00f3ria pela Universidade da Amaz\u00f4nia (UNAMA, 2020), Realiza pesquisas voltadas para c\u00edrculos intelectuais de entress\u00e9culos (XIX-XX) em Bel\u00e9m, tratando sobre a cr\u00edtica de arte, imprensa e artes visuais. E-mail: <\/span><a href=\"mailto:gabrielsouza091@yahoo.com.br\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">gabrielsouza091@yahoo.com.br<\/span><\/a><\/p>\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/bios\/bio_ff.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">F\u00e9lix Ferreira<\/span><\/a> (1841-1898) foi um dos propagadores de tal ideia. Disse o cr\u00edtico em dado momento: \u201cEm geral, <i>aqui no Rio de Janeiro, o que quer dizer no Brasil<\/i><b> <\/b>[grifos meus], os que aprendem a desenhar contentam-se em copiar alguma coisa do natural, do gesso quase sempre, poucos s\u00e3o os que conseguem saber desenhar originalmente\u201d. FERREIRA, F\u00e9lix. <b>Belas Artes: <\/b>Estudos e Aprecia\u00e7\u00f5es. Vers\u00e3o Digital Arte Data, 1998, p. 84.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn2\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref2\" name=\"_edn2\"><\/a><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a><!--[endif]--><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> JOAFNAS. As Bellas Artes no Brasil. <b>Folha do Norte<\/b>, 18 out. 1903, p. 1.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn3\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref3\" name=\"_edn3\"><\/a><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a><!--[endif]--><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> idem<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn4\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> Idem.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn5\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> idem. <\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn6\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> idem.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn7\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a> As quatro esculturas eram: <i>Busto do dr. Brissay<\/i>, por <\/span><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/bios\/bio_rb.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Rodolpho Bernardelli<\/span><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">; <i>Busto de Menino<\/i> e <i>Busto de Pescador<\/i>, por <\/span><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/bios\/bio_cl.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Corr\u00eaa Lima<\/span><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">; e <i>Cupido<\/i>, por <\/span><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/bios\/bio_jf.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Julieta Fran\u00e7a<\/span><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">. Sobre as esculturas, escreveu Jo\u00e3o Affonso: \u201cDeante destas quatro esculpturas, quem n\u00e3o se convencer de que somos um povo eminentemente dotado para as Artes, \u00e9 porque realmente \u00e9 muito pessimista\u201d (Idem). Ver tamb\u00e9m: ESCOLA Nacional de Belas Artes. <b>Cat\u00e1logo Illustrado da D\u00e9cima Exposi\u00e7\u00e3o Geral da Escola Nacional de Bellas Artes<\/b><i>. <\/i>Rio de Janeiro: E. Bevilacqua &amp; C., Editores, 1903, p. 23. Nesse caso, Jo\u00e3o Affonso n\u00e3o estaria sendo ir\u00f4nico: ele faz quest\u00e3o de frisar a qualidade da escultura produzida pelo Professor Bernadelli, dizendo que ela &#8220;supre a quantidade pela qualidade.&#8221; No mais, havia uma escultura da artista paraense Julieta Fran\u00e7a, com quem Jo\u00e3o Affonso teve trocas positivas em Paris em meados de 1900 durante a estada de ambos por l\u00e1. Jo\u00e3o Affonso inclusive requisitou, em carta publicada na <i>Folha do Norte<\/i>, o apoio financeiro do Governo do Estado do Par\u00e1 \u00e0 Julieta Fran\u00e7a, que passava dificuldades financeiras devido ao valor baixo da bolsa de estudos concedida pela ENBA. Ver: SIMIONI, Ana Paula Cavalcanti. Souvenir de ma carri\u00e8re artistique. Uma autobiografia de Julieta de Fran\u00e7a, escultora acad\u00eamica brasileira. <b>Anais do Museu Paulista<\/b>, v. 15, p. 249-278, 2007.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn8\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref8\" name=\"_edn8\"><\/a><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a><!--[endif]--><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> JOAFNAS, op. cit.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn9\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref9\" name=\"_edn9\"><\/a><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a><!--[endif]--><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> Em <i>Gravuras de medalhas e pedras preciosas<\/i>, por exemplo, o cr\u00edtico citou o caso da est\u00e1tua em gesso <i>Lua de Melo<\/i>, do escultor Girandet, estar erroneamente locada naquela se\u00e7\u00e3o. Ironizando, mais uma vez, Jo\u00e3o Affonso escreveu: \u201cCustou-me decifrar porque \u00e9 que uma estatueta em gesso veio parar a esta sec\u00e7\u00e3o, mas afinal acertei: \u00e9 que no compartimento de esculptura, de que acima descriminei os quatro numeros, havia trabalhos demais&#8230;.\u201d Sobre os desenhos catalogados, aparentemente o cr\u00edtico esperava mais: mais desenhos, mais temas, mais produ\u00e7\u00f5es. Dizia ele: \u201cNa classe dos desenhos, havia uma s\u00e9rie deles para o emblema da Biblioteca Nacional e outra para o <i>ex-libris <\/i>da mesma. <i>Muito se desenha no Brasil!<\/i> [grifos meus].\u201d Idem.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn10\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref10\" name=\"_edn10\"><\/a><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[10]<\/a><!--[endif]--><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> Idem.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn11\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref11\" name=\"_edn11\"><\/a><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[11]<\/a><!--[endif]--><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> Acr\u00f4nimo: <span style=\"color: #404040; background-image: initial; background-position: initial; background-size: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial;\">palavra que se forma pela jun\u00e7\u00e3o das primeiras letras ou das s\u00edlabas iniciais de um grupo de palavras, de uma express\u00e3o. No caso de nosso personagem: (Jo)\u00e3o (Af)fonso do (Nas)cimento = Joafnas.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn12\">\n<p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[12]<\/a> Alfredo Sousa foi um portugu\u00eas que residia em Bel\u00e9m e respons\u00e1vel pelas principias colunas vinculadas aos debates art\u00edsticos nas p\u00e1ginas do jornal di\u00e1rio <i>Folha do Norte<\/i>. Al\u00e9m de ser o cr\u00edtico de arte residente do jornal, foi um colecionador de obras de arte. Para mais, ver: SOUZA, Gabriel Borges. <b>Quantos Mundos H\u00e1 na Arte?<\/b> Cr\u00edtica de Arte em Bel\u00e9m do Par\u00e1 (1896-1914). Disserta\u00e7\u00e3o (Hist\u00f3ria) &#8211; Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Social da Amaz\u00f4nia, UFPA, Bel\u00e9m, 2024, p. 113.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn13\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref13\" name=\"_edn13\"><\/a><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[13]<\/a><!--[endif]--><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> MEIRA, Cl\u00f3vis; ILDONE, Jos\u00e9; CASTRO, Acyr (org.).<b> Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 literatura no Par\u00e1: <\/b>antologia. Bel\u00e9m: CEJUP, 1990, v. 8, p. 111.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn14\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref14\" name=\"_edn14\"><\/a><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[14]<\/a><!--[endif]--><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> HAGE, Fernando. <b>Entre palavras, desenhos e modas: <\/b>um percurso com Jo\u00e3o Affonso. &#8211; 1\u00aa. Ed. &#8211; Curitiba: Appris, 2020, p. 26. <\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn15\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref15\" name=\"_edn15\"><\/a><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[15]<\/a><!--[endif]--><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> AZEVEDO, J. <b>Literatura paraense<\/b>. &#8211; 3. ed. &#8211; Bel\u00e9m: Secult, 1990, p. 122.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn16\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref16\" name=\"_edn16\"><\/a><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[16]<\/a><!--[endif]--><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> De Lisboa, ver: JOAFNAS. Cartas de Longe. <b>Folha do Norte<\/b>, 25 ago. 1901, p. 1. De Paris, ver: JOAFNAS. Cartas de Longe. por. <b>Folha do Norte<\/b>, 26 ago. 190, p. 1.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn17\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\">[17]<\/a> HAGE, op. cit., p. 94.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn18\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\">[18]<\/a> A. Notas de arte. <b>Folha do Norte<\/b>, 28 ago 1903, p. 1. <\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn19\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref19\" name=\"_edn19\"><\/a><a href=\"#_ednref19\" name=\"_edn19\">[19]<\/a><!--[endif]--><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> \u201cS\u00e3o indigitados para o corpo docente os srs. Jo\u00e3o Affonso, drs. Barroso Rebello, A. Marques de Carvalho, dr. Flavio Cardoso, Jos\u00e9 Girard, Carlos Azevedo, Victor Mansini, Maurice Blaise, Irineu de Souza\u201d. SOUSA, Alfredo. Notas Art\u00edsticas \u2013 Academia de Pintura.&nbsp; <b>Folha do Norte<\/b>, 24 set. 1903, p. 1.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn20\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref20\" name=\"_edn20\">[20]<\/a> Sobre o cat\u00e1logo de 1884: \u201cO catalogo relaciona duzentos e noventa e quatro trabalhos de pintura e desenho, seis esculpturas, sete planos de architectura, quarenta provas photographicas\u201d. JOAFNAS. Atrazo ou Negligencia? <b>Folha do Norte<\/b>, 25 out. 1903, p. 1.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn21\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref21\" name=\"_edn21\"><\/a><a href=\"#_ednref21\" name=\"_edn21\">[21]<\/a><!--[endif]--><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> Idem.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn22\">\n<p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><a href=\"#_ednref22\" name=\"_edn22\">[22]<\/a> Ant\u00f4nio Marques de Carvalho foi o cr\u00edtico de arte residente deste jornal entre os anos de 1899 e 1909, assinando a coluna <i>Cr\u00edtica d&#8217;Arte<\/i>, ora com seu pr\u00f3prio nome, ora com o pseud\u00f4nimo &#8220;Mon\u00f3culo&#8221;. Ver: &nbsp;SOUZA, op cit, p.56.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn23\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref23\" name=\"_edn23\">[23]<\/a> Encontramos a coluna Conversa Fiada sendo publicada no ano de 1897, durante o segundo ano de circula\u00e7\u00e3o do jornal <i>Folha do Norte<\/i>. Na ocasi\u00e3o, \u201cDem\u00f3crito\u201d foi quem assinou a pequena se\u00e7\u00e3o. Ver: DEM\u00d3CRITO. Conversa Fiada. <b>Folha do Norte<\/b>, 17 mai. 1897, p. 1.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn24\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref24\" name=\"_edn24\">[24]<\/a> FIGUEIREDO, Aldrin Moura de. <b>Eternos Modernos: <\/b>uma hist\u00f3ria social da arte e da literatura na Amaz\u00f4nia 1908-1929. (Tese de Doutorado). S\u00e3o Paulo: Unicamp, 2001, p. 19-20.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn25\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref25\" name=\"_edn25\"><\/a><a href=\"#_ednref25\" name=\"_edn25\">[25]<\/a><!--[endif]--><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> JOAFNAS. Uma exposi\u00e7\u00e3o art\u00edstica. <b>Folha do Norte<\/b>, 20 dez. 1908, p. 1.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn26\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref26\" name=\"_edn26\"><\/a><a href=\"#_ednref26\" name=\"_edn26\">[26]<\/a><!--[endif]--><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> Idem.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn27\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref27\" name=\"_edn27\"><\/a><a href=\"#_ednref27\" name=\"_edn27\">[27]<\/a><!--[endif]--><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> Idem.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn28\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref28\" name=\"_edn28\">[28]<\/a> Aldrin Figueiredo e Fernando Hage propagam a ideia de que Jo\u00e3o Affonso do Nascimento conheceu Theodoro Braga em 1901, quando ambos estavam residindo em Paris.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn29\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref29\" name=\"_edn29\">[29]<\/a> JOAFNAS. Uma exposi\u00e7\u00e3o art\u00edstica, p. 1.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn30\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref30\" name=\"_edn30\">[30]<\/a> JOAFNAS. Da arte da fraude na arte. <b>Folha do Norte<\/b>, 05 jun. 1910, p. 1.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn31\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref31\" name=\"_edn31\">[31]<\/a> JOAFNAS. Da sinceridade na arte. <b>Folha do Norte<\/b>, 07 mai. 1911, p. 1.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn32\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref32\" name=\"_edn32\">[32]<\/a> JOAFNAS. Guerra \u00e1 linha curva. <b>Folha do Norte<\/b>, 24 nov. 1912, p. 1.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn33\">\n<p class=\"Estilo3\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref33\" name=\"_edn33\"><\/a><a href=\"#_ednref33\" name=\"_edn33\">[33]<\/a><!--[endif]--><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> JOAFNAS. Se fosse o Louvre. <b>Folha do Norte<\/b>, 01 dez. 1914, p. 1.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn34\">\n<p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref34\" name=\"_edn34\"><\/a><a href=\"#_ednref34\" name=\"_edn34\">[34]<\/a><!--[endif]--><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> Al\u00e9m da Primeira Exposi\u00e7\u00e3o Escolar de Artes do ano de 1909, Alfredo Sousa publicou textos sobre Segunda Exposi\u00e7\u00e3o Escolar, ocorrida em 1910, mbos com opini\u00f5es negativas. Ver: SOUSA, Alfredo. Impress\u00f5es de Arte &#8211; A Segunda Exposi\u00e7\u00e3o Escolar. <b>Folha do Norte<\/b>, 10 set. 1910, p. 1.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn35\">\n<p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref35\" name=\"_edn35\">[35]<\/a> JOAFNAS. O desenho ao mesmo tempo que o abc. por. <i>Folha do Norte<\/i>, 19\/09\/1909.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn36\">\n<p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref36\" name=\"_edn36\">[36]<\/a> JOAFNAS. Um anno desaproveitado\u201d por Joafnas. <b>Folha do Norte<\/b>, 13 set. 1910, p. 1.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn37\">\n<p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/E:\/DezenoveVinte%20mar.%202023\/19e20\/19e20_XIX\/joafnas.docx#_ednref37\" name=\"_edn37\"><\/a><a href=\"#_ednref37\" name=\"_edn37\">[37]<\/a><!--[endif]--><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> JOAFNAS. A terceira exposi\u00e7\u00e3o escolar de desenho\u201d, por Joafnas. <b>Folha do Norte<\/b>, 29 set. 1911, p. 1.<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn38\">\n<p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref38\" name=\"_edn38\">[38]<\/a> JOAFNAS. A quarta exposi\u00e7\u00e3o escolar de desenho\u201d, por Joafnas. <b>Folha do Norte<\/b>, 29 set. 1912, p. 1.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"edn39\">\n<p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"#_ednref39\" name=\"_edn39\">[39]<\/a> Esta \u00faltima n\u00e3o foi promovida pelo Governo do Par\u00e1 e sim por Theodoro Braga. O acervo da exposi\u00e7\u00e3o era composto por desenhos de seus pr\u00f3prios alunos. JOAFNAS. A quinta exposi\u00e7\u00e3o escolar de desenho. <b>Folha do Norte<\/b>, 14 set. 1913, p. 1.<\/span><a style=\"background-color: #ffffff;\" title=\"\" href=\"#_edn22\" name=\"_ednref22\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span lang=\"pt\" style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; vertical-align: baseline;\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span lang=\"pt\" style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[22]<\/span><\/span><\/span><\/span><\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, a efervesc\u00eancia da cena art\u00edstica de Bel\u00e9m do Par\u00e1 n\u00e3o se restringia ao <i>foyer<\/i> do Theatro da Paz e demais galerias de arte. Na imprensa, alguns literatos se dedicaram a escrever em um g\u00eanero textual que estava em voga nos principais centros urbanos brasileiros e europeus: a cr\u00edtica de arte. Nesse artigo, apresentamos a faceta de cr\u00edtico de Jo\u00e3o Affonso do Nascimento (1855-1924), multiartista maranhense que viveu em S\u00e3o Lu\u00eds, Manaus, Paris, mas encontrou em Bel\u00e9m os meios para sua ascens\u00e3o social. <\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":3447,"template":"","categories":[23],"tags":[],"revista-issn":[],"edicao":[51],"class_list":["post-3300","artigo","type-artigo","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","edicao-volume-xix"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/artigo\/3300","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/artigo"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/types\/artigo"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/artigo\/3300\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3447"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3300"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3300"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3300"},{"taxonomy":"revista-issn","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/revista-issn?post=3300"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=3300"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}